Mensagem de Natal 2014

Amados filhos e filhas,

Naqueles dias, apareceu um edito de César Augusto ordenando o recenseamento de
todo o mundo habitado.

Conhecereis certamente, amados filhos e filhas espirituais, tudo o que se refere ao mistério, que nestes dias celebramos, sobre o qual já ouvistes falar muitas vezes. Mas,assim como a luz visível causa prazer aos olhos sãos, uma alegria perene para os corações puros o nascimento do Salvador e nunca podemos deixar de falar a seu respeito, embora não possamos explicar como conviria. Não julgamos na verdade que as palavras: Sua geração, quem a exprimirá? (Is. 53,8). Refiram-se apenas ao mistério segundo o qual o filho de Deus é coeterno ao Pai, mas também ao nascimento pelo qual o verbo se fez carne. (Jo. 1,14).

Com efeito, Deus, filho de Deus que é igual ao Pai e tem com o Pai a mesma natureza que dele recebe; Criador e Senhor de todo o universo todo ele presente em toda a parte e todo ele ultrapassando tudo, escolheu, na sucessão dos tempos determinada por sua vontade, este dia em que, para a salvação do mundo, nasceu da santa Virgem Maria, que ao gerar conservou intacta a pureza. Sua virgindade não foi violada pelo parto, como não fora lesada pela concepção. Para se cumprir, conforme diz o evangelista, a palavra do Senhor anunciada pelo profeta Isaías: Eis que a virgem vai conceber e dar a luz a um filho e será chamado Emanuel que significa: “Deus conosco” (Mt. 1.22,23; Is. 7,14). Neste parto admirável, a santa Virgem deu à luz uma pessoa verdadeiramente humana e verdadeiramente divina ao mesmo tempo, pois as duas substâncias não conservaram suas propriedades ao ponto de nelas ser possível uma distinção de pessoas; tampouco a criatura foi associada ao seu criador como se ele fosse o habitante e ela a habitação, mas as duas naturezas foram reunidas. E embora a natureza que é recebida seja uma e a que
recebe seja outra, a diversidade de ambas converge em tão grande unidade que um só e mesmo é o filho o qual, enquanto verdadeiro homem se diz menos que o Pai e, enquanto verdadeiro Deus declara-se igual ao Pai.

Deus quis viver junto com os homens, porque o seu Pai tentou várias vezes estabelecer aliança e diálogo. Mas foi frustrado em seus planos de amor. Todo o Antigo Testamento está cheio de sinais de amor de Deus e sinais de ingratidão dos homens.

Mas ele é Pai. E o Pai costuma suportar muitas grosserias dos filhos.
Um dia ele pensou: Os homens não me quiseram. Talvez aceitem meu filho.
O filho veio a terra, numa suprema tentativa de dialogar com os homens.

Ali está um menino, reclinado na palha de uma manjedoura, chorando de frio, envolto em pobres panos, visitado por humildes pastores. É ele mesmo, o filho de Deus que veio para viver com os homens a vida deles, é o filho de Deus que veio para salvar a humanidade. É o Cristo libertador.

Veio para restabelecer diálogo entre Deus e o homem. Veio unir toda a terra com o céu e o céu com a terra. Veio gente para entrar na vida da gente.

Ninguém mais precisa ter medo. Deus virou criança e começou a caminhar conosco. O céu tocou a terra.

O nascimento de Cristo é o mais expressivo sinal da bondade de Deus.

O Natal é uma profecia de paz para cada ser humano.

Feliz Natal para você e os seus! Muita paz para os que se estimam….

Dezembro de 2014

+++Mor José Faustino, Arcebispo presidente

+++Mor Titos Paulo Tuza, Delegado Apostólico

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