Centenário do Genocídio Siríaco

Artigo: CENTENÁRIO DO GENOCÍDIO SIRÍACO
Autor: Mons. Antônio Nakkoud

No dia 11 de Janeiro de 2015, nosso Patriarcado com sede em Damasco-Síria, inaugurou a abertura do jubileu do Centenário das comemorações do Genocídio Siríaco “Sáifo”. Cumprindo com isso uma decisão tomada em 30 de maio do ano 2014, por uma comissão nomeada pelo nosso Patriarca Inácio Efrém ll, para preparar este jubileu em memória dos nossos novos mártires.

Os estudos modernos sobre o Genocídio Siríaco são relativamente recentes, devido ao fato do Genocídio Armênio sempre ter ocupado o palco principal.

O Genocídio Siríaco é conhecido como “Sáifo”, que traduzido significa “Espada”, referindo-se ao massacre e à sistemática tortura e extermínio étnico dos Siríacos, Caldeus, Armênios, Gregos e ainda alguns da população Síria do Império Otomano, durante a primeira Guerra Mundial. Nesse período, milhares de crianças, homens e mulheres foram massacrados e exterminados.

As estimativas sobre o número total de mortos variam. Relatos contemporâneos colocam o número de 500 a 750 mil vítimas entre os Siríacos. Este número  representava cerca de 70% da população Siríaca naquele período no Oriente. Além disso, mais que 500 mil Gregos e, entre os armênios, o número de vítimas chegou a um milhão e meio, formando quase três milhões de cristãos torturados, massacrados e exterminados inocentemente.

O único pecado destes mártires cristãos era serem cristãos, testemunhas de Cristo e defensores de sua fé salvadora e libertadora. Este Genocídio, com todos os seus pormenores, encontram-se no Arquivo de Documentos da Primeira Guerra Mundial da Universidade do Kansas – EUA, onde temos as informações essenciais de testemunhas deste terrível período. Lendo estas informações, é possível entender como este Genocídio foi apoiado e acobertado desde essa época até os nossos dias.

Os principais responsáveis pelo Genocídio foram os integrantes do partido Comitê União e Progresso, entre eles os jovens Turcos. Entre os nomes mais influentes estão o ministro do Interior Talaat Pasha (1915-1918) e Enver Pasha (1920-1923).

O Governo dos Jovens Turcos implantou uma política denominada “Pan-turquismo”, cujo objeto era implantar no território do Império Otomano a raça puramente Turco-descendente e limpar da região de outros tipos de raça (etnias).

No dia 24 de Abril de 1915, as tropas turcas invadiram cidades e obrigaram famílias cristãs a deixarem suas casas, ao mesmo tempo que viam suas cidades sendo destruídas. Milhares morreram no caminho por assassinatos das tropas, outros milhares morreram executados em campos de concentração, milhares morreram queimados, enforcados, afogados no Rio Eufrates ou jogados no Mar Negro, além do registro de mortes de crianças com injeções de morfina, dentre outras exterminadas com equipamentos de gás tóxico.

O mundo não reagiu na época, porque a estratégia do governo Turco era muito bem arquitetada. As mortes aconteceram longe de casa e dos centros políticos, em locais de difícil acesso, além da censura aos meios de comunicação, que dificultaram a exposição internacional do que estava acontecendo. Além disso, as potências europeias estavam envolvidas na 1ª Guerra Mundial, com a atenção desviada para este conflito. Enfim, era o cenário perfeito para este terror.

A Suécia é hoje o único país que reconhece o Genocídio Siríaco. A Associação Internacional de Genocídio, especialista em genocídios Siríaco e Grego, reconheceu oficialmente em dezembro de 2007.

Somente a justiça pode tornar a paz e a estabilidade possíveis. Mas a justiça somente prevalece quando a verdade é conhecida. Depende de cada um de nós fazer a justiça prevalecer ao tornar o Genocídio conhecido.

Que nosso Amoroso Pai Celeste, tenha misericórdia das santas almas, dos mártires do “Sáifo”,  que na vida confessaram Jesus e na morte ofereceram a própria vida por seu amor e em testemunho de sua fé. Na certeza que Jesus os confessará diante do Pai, conforme a sua solene promessa: “Quem me confessar diante dos homens eu também o confessarei diante do meu Pai que está no Céu”.

Que suas orações sejam para nós sinônimo de consolo, solidariedade, esperança e coragem, para que possamos professar o exemplo dados por esses mártires diante de Nosso Salvador em todo mundo, em todos os tempos e lugares. Paz as suas boníssimas almas e luz, muita luz no reino da glória e do amor.

Que sua memória seja eterna no convívio dos eleitos e na companhia dos escolhidos de Deus, agora e pela eternidade. Amém!

Mons: Antonio Nakkoud
Delegado Patriarcal
Campo Grande MS. 11/01/2015

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