ÉDITO PATRIARCAL PARA A QUARESMA DE 2015

brasão patriarcado

EM NOME DO PODEROSO, AUTO EXISTENTE,
SEMPIETERNO DE NECESSÁRIA EXISTÊNCIA,
IGNATIUS, PATRIARCA DA SANTA CÁTEDRA DE ANTIOQUIA
E DE TODO O ORIENTE,
SUMO PONTÍFICE DA IGREJA UNIVERSAL SIRIAN ORTODOXA,
AFREM II.

Estendemos nossas bênçãos apostólicas, orações benevolentes e saudações aos nossos irmãos, Sua Beatitude Mor Baselios Thomas I, Católico (Maferiono) da Índia e Suas Eminencias os Metropolitas; nossos filhos espirituais os reverendíssimos cura epíscopos, padres, monges, freiras, diáconos e diaconisas, e a todo o povo Sirian Ortodoxo em todo o mundo. A Divina Providencia vos envolva através da intercessão da Virgem Maria, Mãe de Deus, São Pedro o chefe dos apóstolos e todos os santos e mártires, amem.

Amados em Cristo,

“E trabalhamos obrando por nossas próprias mãos: amaldiçoam-nos, e bendizemos; perseguem-nos e sofremos. Somos blasfemados, e rogamos.” (I Coríntios $: 12)

Nossa Igreja Sirian Ortodoxa tem dedicado este abençoado ano de 2015 às comemorações do GENOCÍDIO SIRÍACO (Suriani) – SAYFO.

O Significado da palavra SAYFO em Suriani ou siríaco traz à memória tristes recordações impingidas à consciência de cada indivíduo Suriani. Deixou uma ferida em nossa nação e religião, ao mesmo tempo é uma mácula vergonhosa na história da humanidade. Estes massacres perpetrados contra os povos amantes da paz são alguns dos mais horríveis na história da Igreja perseguida desde a sua fundação.

 Em todas as épocas e lugares as ondas de perseguições atingiam os seguidores de Nosso Senhor Jesus Cristo. Um grande número de mártires foi vítima destas perseguições derramando seu sangue por amor a Cristo.

O Livro dos Atos dos Apóstolos conta-nos que depois da manifestação (ou descida) do Espírito Santo sobre os apóstolos em Jerusalém, eles se espalharam pelo mundo pregando o Palavra da Salvação de Nosso Senhor Jesus Cristo divulgando a boa nova, evangelizando os povos para adorar o Único Deus Verdadeiro e abandonar o paganismo. Foram motivo de perseguição e sacrifício só porque eram Cristãos. Os pagãos perseguiam os fiéis de uma localidade a outra matando-os, outras vezes lançando-os às feras famintas que os devoravam deixando apenas alguns ossos que eram venerados por seguidas gerações como relíquias sagradas.

Apesar da severidade e do grande número de perseguições, os Cristãos permaneceram firmes na sua fé recusando-se a renunciar sua crença em Cristo. Seguiram o exemplo do Arquidiácono e primeiro mártir Santo Estevão que dizia – “Eis estou vendo os céus abertos, e o Filho do Homem que está em pé à mão direita de Deus” (Atos 7: 56); também em São Paulo, o Apóstolo, “Quem nos separará do amor de Cristo ¿ Será a tribulação¿ ou a fome¿ ou a desnudez¿ ou o perigo¿ ou a perseguição¿ ou a espada¿” (Romanos 8: 35). Assim, suportaram, torturas e adversidades com coragem e paciência, armados com a esperança de que a vida vencerá a morte e sobrepujará todas as dificuldades, tragédias e sofrimentos, mais ainda, acreditavam piamente que a morte não os separaria do amor de Cristo nem tomaria a Salvação a eles dada por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ao invés de ver o declínio dos fiéis em Cristo dadas às perseguições, um grande número de pessoas se juntaram à Igreja que cresceu, tornou-se próspera e forte. Assim o martírio e a perseguição tornaram-se marcas distintas da Igreja corretamente merecedora do título de Igreja Militante.

Na nossa tradição siríaca ou Suriani, oramos:

“Com tuas mortes abençoadas mártires edificou-se a Santa Igreja, e, com tuas relíquias alegra e rejubila-se diariamente.”

As perseguições não cessaram e a era do martírio está longe de terminar; assassinatos e matanças continuam em nome de Deus, da religião e da fé. Qual Deus se agrada com assassinatos, derramamento de sangue e violação da dignidade humana simplesmente devido à diferença de crença e adoração cada qual à sua maneira ou modo ¿ Será que estes que matam em nome da religião estão cientes que desta forma insultam a sua própria religião mostrando que seu deus é cruel e sanguinário ¿ Apresentam seu deus como necessitado do sacrifício humano para que continue a existir enquanto Nosso Senhor Jesus Cristo ensina – “Ide pois, e aprendei o que quer dizer: Misericórdia quero, e não sacrifício. Porquanto eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores.”  (Mateus 9: 13) – ao invés da misericórdia praticam a injustiça, ao invés do amor, mostram raiva. Da raiva nasce a violência. Esta violência cega a mente humana e não se consegue ver a imagem de Deus na face do seu semelhante; só o enxerga como inimigo e por isso buscam destruí-lo. Fazendo isto, pensam ainda que estão oferecendo sacrifício ao seu deus.

Meus amados, as tragédias, assassinatos, a destruição que testemunhamos hoje mostram-nos a que nível moral pode descer a humanidade, chegando ao ponto de negar o direito básico à vida e à crença, o que leva a cometer os crimes mais atrozes contra os semelhantes.

O que os Cristãos sofrem nestes dias no Iraque, Síria, Líbano, Egito e na Terra Santa por causa da sua fé e sua ligação à terra dos seus ancestrais tornou-se uma grande tribulação obrigando-os a escolher entre a morte e a imigração ou a abandonar sua fé cristã e sua Igreja.

No entanto, não nos deixemos vencer pelo desespero ou permitir que a nossa determinação esmoreça; ao contrário, devemos continuar a testemunhar nossa fé em Nosso Senhor Jesus Cristo. Fortificaremos a nossa fé e nos manteremos fiéis à nossa herança Cristã Oriental estabelecida por nossos ancestrais nesta região conhecida como o “berço do Cristianismo”.

Preservaremos também, a fé arraigada em nossos corações; plantada pelos abençoados Santos e regada com o sangue dos mártires através dos tempos; fé esta que floresceu legando-nos o compromisso e a submissão de nossas vidas às mãos do Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Assim os ventos turbulentos das perseguições e tribulações nunca nos desencorajarão de persistir na nossa missão.

Amados, a Quaresma é o tempo de unir o jejum às orações e pedir a Deus para nos ajudar a levar adiante nosso testemunho Cristão neste mundo atribulado. É tempo de pedir a Deus que nos torne verdadeiros Cristãos para que por nosso intermédio Ele possa ser glorificado. Vamos aceitar com alegria beber do Cálice de Sofrimento cientes que ao final seremos vitoriosos!

A Quaresma também é a oportunidade dos nossos amados fiéis, membros das paróquias na diáspora cujos pais e avós partilharam deste mesmo amargo Cálice aos tempos do “SAYFO” orem por seus irmãos no Oriente Médio.

Sua imigração da terra natal é um novo tipo de perseguição, por isso, nós os convocamos para aderir à Santa Igreja e aos seus preciosos ensinamentos pelos quais seus ancestrais se tornaram mártires.

Encorajamos todos a não esquecer que seus irmãos sofrem perseguições por causa do seu testemunho em Cristo. Mais ainda, pedimos aos nossos filhos espirituais a oferecer doações ajudando estes necessitados não importando onde estejam, cientes sempre de que estes atos caritativos não serão esquecidos por nosso Pai Celestial.

Rogamos a Deus Todo Poderoso a aceitar seu jejum, orações e doações, e, vos torne merecedores de celebrar juntos a Sua Ressurreição dos mortos; e….

PAI NOSSO….

Emitido em nosso patriarcado em Damasco – Síria.
2 de fevereiro de 2015 – Festa da Apresentação de Nosso Senhor ao Templo e São Simão o Velho.
Primeiro ano do nosso Patriarcado.

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