História da Igreja no Brasil

Como uma Igreja tão antiga e de tão longe chegou até aqui? Por que brasileiros, sem nenhuma origem oriental, podem hoje ser fiéis e clérigos da Igreja Sirian Ortodoxa? Quando começou? Quem trouxe? O texto abaixo conta parte da história da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia no Brasil e de como seu trabalho missionário, iniciado por Mor Crisóstomos Salama, abriu as portas da genuína fé cristã para todos nós.

OBS: Texto original do abuna Dr. Celso Kallarrari, doutor em Ciências da Religião e sacerdote da Igreja Sirian Ortodoxa de Antiquia no Brasil, com edições e acréscimos da Comissão de Comunicação

O INÍCIO: AS IGREJAS DE “COLÔNIA”

Catedral de São Jorge campo grande
Catedral Sirian Ortodoxa São Jorge – Campo Grande – MS

Na América Latina, de modo especial, no Brasil e na Argentina, sob a denominação de Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia, havia, até o ano de 1982, oito comunidades sirian ortodoxas de origem oriental. Essas “Paróquias” eram denominadas “Igrejas de colônia” ou “tradicionais”, pois tinham por objetivo o atendimento aos imigrantes sírios e seus descendentes que aqui chegaram com o objetivo de preservação e conservação de suas tradições.

A Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia (Igreja Ortodoxa Siríaca) está presente no Brasil desde 1950 com a presença dos imigrantes das primeiras colônias sírias e suas primeiras comunidades religiosas. Esse ramo tradicional das Igrejas de imigração fora estabelecido com a construção da primeira Paróquia de São João Batista, em São Paulo, em 1951. Mais tarde, em 1959, inaugurou-se a Paróquia de São Pedro, em Belo Horizonte, MG. Nos anos de 1962, foi lançada a pedra fundamental da Catedral de São Jorge, em Campo Grande – MS. No ano de 1981, inaugurou-se, também em São Paulo, a última Igreja dita “de colônia” com o nome de Igreja Sirian Ortodoxa Santa Maria. Atualmente, o Delegado Patriarcal das “paróquias das colônia” é o Monsenhor Antonio Nakkoud.

Somente em 1983, pelo iniciativa de Mor Crisóstomos Moussa Salama (então delegado patriarcal) de abrir a Igreja Sirian Ortodoxa aos brasileiros sem ascendência oriental, é que criou-se uma missão no Brasil.

MAR CRISÓSTOMOS MOUSSA MATANOS SALAMA: O Apóstolo missionário do Brasil

Mor Crisóstomos Moussa Matanos Salama Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia Brasil Siriana Dom 8Em 1983, o arcebispo Mor Crisóstomus Moussa Matamos Salama inicia no Brasil uma missão evangelizadora aos brasileiros, abrindo as portas da Igreja Ortodoxa Siríaca para todos os interessados, sem qualquer discriminação. Necessitando de sacerdotes que conduzissem as ações missionárias, Mor Crisóstomos aceitou e ordenou missionários de diversas origens cristãs (Católica Romana, Anglicana etc) que aproximaram-se da Igreja pelo vivo testemunho missionário de Mor Crisóstomos, fazendo renascer em seus corações uma “tão nova e tão antiga” forma de viver a fé cristã e anunciar o Evangelho, agora na Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia.

Deus abençoou esta obra missionária no Brasil, pois em 1983 foi oficialmente autorizada pelo patriarca Mor Inácio Zakka I, através da Bula Patriarcal 128/1983 e, consequentemente, pelas demais Bulas 245/1988 e 246/1988. Na verdade a missão evangelizadora siríaca no Brasil teve forte influência da experiência vivida por Mor Crisóstomos no campo missionário da Índia, pois lá havia desenvolvido um excelente trabalho missionário.

A retomada do espírito antioquino missionário, mesmo contrariada por algumas pessoas pertencentes às Igrejas de Colônia, levou o Patriarca, numa decisão sinodal, a separar a arquidiocese no Brasil em dois ramos: Uma “de colônia” ou ‘tradicional”, sob a administração direta do patriarca, e outra Missionária, sob a administração episcopal de Mor Crisóstomos Salama. Assim, a Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia no Brasil, por conta de sua índole missionária e de estar aberta à evangelização dos brasileiros, foi então intitulada de “Igreja de Missão” e, consequentemente, acrescido ao nome o termo Missionária.

AS COLÔNIAS E A MISSÃO: Controvérsias

De acordo com o Jornal Suryoye (1996), Mor Gregórius Yohanna Ibrahim, na qualidade de emissário patriarcal, reuniu-se com  nove representantes da “Igreja Missionária”, na presença do Monsenhor Antonio Nakkoud e cinco testemunhas da Comunidade Sirian Ortodoxa de São Paulo. Naquela oportunidade, S. Eminência dirigiu-se aos nove nove sacerdotes que, naquele momento, representavam a Igreja mossionária no Brasil, solicitando-lhes a observância de quatro pontos fundamentais na organização da “Igreja Missionária” relacionados ao seu nome, às validações das ordenações sacerdotais emanadas do falecido arcebispo Mor Crisóstomos Salama, o uso correto das vestimentas, paramentos, ritos e liturgias da Igreja; regulamentação das paróquias brasileiras e sua vinculação patriarcal; e, por último, ao relacionamento entre as Igrejas de Colônia e as Igrejas Missionárias (SURYOYE, 1996, p. 3).

reunião com representantes patriarcais
da esquerda pra direita: Mor Severios, Mor Cirílo (atual patriarca), Raban Gabriel Dahho, Mor Leolino e Mor Faustino

Após dois anos (1998), Suas Eminências Mor Citilo Efrém Karim (*atualmente patriarca), arcebispo do Leste dos Estados Unidos da América do Norte e Mor Severius Malke Murad, arcebispo de Jerusalém, estiveram no Brasil designados pelo Santo Sínodo para acompanhar as resoluções anteriores acerca da “Igreja Missionária”. Reuniram-se durante dois dias consecutivos com os 02 bispos das Igrejas de Missão e com 14 dos 32 padres dessas comunidades missionárias. Nesse encontro, foi elaborado e encaminhado um relatório à S.S. o Patriarca Mor Inácio Zakka I Iwas, então Patriarca de Antioquia e Todo Oriente. Em entrevista ao Jornal Suryoye (1998), Mor Cirilo Efrém Karim fez menção ao serviço missionário no Brasil, dizendo que:

“Com a imigração, a Igreja encontrou esperança e agora pode voltar-se ao serviço missionário novamente. Mas devemos planejar o serviço missionário e deve acontecer naturalmente com o suporte das Igrejas Tradicionais. Nos últimos anos tivemos vários exemplos de agregações precipitadas e que não tiveram continuidade”

reunião raban paulo hana
Ao centro, o Raban Paulo Hanna (hoje Mor Titos) reunido junto aos bispos Mor Leolino e Mor Faustino

Na verdade, após o falecimento de Mor Crisóstomos Salama em 1996, a “Igreja de Missão” passou a sofrer divisões internas, especialmente pela perda de seu grande líder e missionário. Por conta dessa tensão, no ano de 2000, o Patriarca Mor Inácio Zakka I nomeou o então Raban Paulo Jorge Hanna (atualmente bispo Mor Titos e Núncio Apostólico) como representante patriarcal para supervisionar a missão da Igreja em terras brasileiras. De acordo com a Bula Patriarcal n. 169/2000, o Raban Paulo Hanna havia sido enviado “na qualidade de Representante Patriarcal, para gerir os assuntos da comunidade de evangelização no Brasil e demais países da América do Sul” (BULA PATRIARCAL, n. 169/2000).

À época, esperava-se que o padre Paulo Hanna conseguisse obter o apoio dos dois ramos, a fim de manter a unidade, mas teve que retornar à Síria, ficando a “Igreja de Missão” sem nenhum representante patriarcal até o mês de maio de 2007.

 

COMUNHÃO E CAMINHADA MISSIONÁRIA

Nesse ínterim, de tempos em tempos, sempre mantivemos contato com S. S. Mor Inácio Zakka I através de algum delegado patriarcal designado por ele. Recebemos várias delegações com o intuito de reunir as comunidades missionárias e buscar um diálogo mais profundo, em prol da unidade. Algumas dessas delegações procederam, diretamente da Síria, outras vieram dos Estados Unidos, mas infelizmente nosso diálogo não se concretizava de fato, porque à época nossa “Igreja Missionária” não tinha condições de manter qualquer delegado no Brasil, pois desde o início sempre foi formada por pequenas comunidades (paróquias) distribuídas em vários estados brasileiro. Afinal, ainda hoje, a maioria dos nossos padres nem sequer pode ser mantido pelas suas comunidades, conforme explica Mor Efrém José Faustino:

“Esta obra liderada por Mor Crisóstomos é do Espírito Santo”, foi a solene declaração do Patriarca, repetida no Sínodo de 1983, em três Bulas Patriarcais. Fora de qualquer auxílio externo, sem recursos financeiros e com concorrência desigual, “a semente cresce, sem que se saiba como” (Mc. 4.27). Em 27 anos de trabalho árduo, a presença da Igreja estruturada por Mor Crisóstomos está consolidada em 15 Estados brasileiros.” (FILHO, 2001, grifos nossos).

Depois de vários anos, após o falecimento de nosso arcebispo Mor Crisóstomos Salama, a “Igreja Missionária” sempre se manteve, desde a sua formação, submissa à Santa Sé Apostólica Siríaca de Antioquia, apesar de, no decorrer dos tempos, existirem pendências quanto às questões relativas aos paramentos, liturgia e divisões internas entre o clero tradicional e o de missão e, principalmente, por causa da vacância de um delegado patriarcal que pudesse, à luz da nossa cultura, direcionar os nossos trabalhos.

A IGREJA NO BRASIL HOJE

Atualmente, nossa Igreja Sirian Ortodoxa no Brasil é uma Igreja periférica, presente em 15 estados brasileiros e constituída por mais de 40 comunidades, é marcada fortemente pela diversidade cultural brasileira. É importante lembrar que cada estado brasileiro corresponde (em termos de proporção territorial) a alguns países da Europa. Imagine, pois, a imensidão de culturas regionais marcadas também pelos mais diversos povos (portugueses, holandeses, italianos, alemães, e orientais sírio-libaneses, etc.) que no Brasil desembarcaram.

Por outro lado, segundo S. S. Mor Inácio Zakka I Iwas, a evangelização no Brasil, iniciada por Mor Crisóstomos é “obra do Espírito Santo, reafirmando, assim, a continuidade da missão da Igreja de Antioquia e da visão antioquino – siríaca, nas regiões do Brasil” (BULA PATRIARCAL n. 128, 1983). Por essa razão e, apesar das inúmeras dificuldades encontradas por nós, nesses longos anos, a exemplo das dificuldades de estabelecer uma comunicação direta com a Santa Sé Apostólica de Antioquia e da compreensão do idioma árabe, nunca deixamos de nos autodenominar cristãos membros da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia e de rezarmos, em todas as nossas celebrações litúrgicas, pela Santa Igreja e pelo Patriarca.

Em 2009, Mor Efrém José Faustino, em correspondência à S. S. Mor Inácio Zakka I, assim se expressa:

Monsenhor Antônio Nakkoud
Monsenhor Antônio Nakkoud

“Cremos que a Vossa decisão de conferir ao Monsenhor Antônio Nakkoud, o título de Delegado Patriarcal também para a “Igreja Missionária” no Brasil vai nos ajudar, imensamente, para estreitar, cada vez mais, nossos laços filiais com a Igreja-Mãe. Achamos, pois, que a sábia decisão de Vossa Santidade, na escolha do Monsenhor Antônio Nakkoud como Delegado Patriarcal, foi, certamente, uma abertura maior para conhecer os nossos trabalhos in loco, uma vez que, desde os anos 70, o referido Monsenhor conhece nossa língua e, principalmente, nossa cultura e costumes. Este fato, sem dúvidas, possibilitará um melhor entendimento a ambos os lados” (FILHO, 2010).

Diante de inúmeras dificuldades, sempre mantivemos nossa postura de submissão e defesa da fé ortodoxa, conforme se evidencia em nossos estatutos. A nossa liturgia, celebrada nas Santas Missas, é um árduo trabalho de tradução do nosso memorável Mor Crisóstomos Salama e em nada contradiz os princípios sirian ortodoxos, nem, contudo, cria algo novo, mas busca devolver à Santa Igreja, a partir da enculturação, seus horizontes internacionais. Consciente de seu papel histórico, Mor Crisóstomos sempre lutou contra certa incompreensão de várias frentes: internas e externas. Tendo a missão de defesa do Evangelho e com sincera colaboração dos irmãos no Sacerdócio e no Episcopado, procurou implantá-lo, reavivá-lo e defendê-lo.

FIDELIDADE À SÉ ORTODOXA SIRÍACA DE ANTIOQUIA

Na XVI Assembléia Ortodoxa Nacional, realizada em Brasília, entre os dias 23 a 25 de fevereiro de 2008, Mor Basílius Leolino Gomes Neto leu para toda na assembléia o capítulo do livro de Josué 22, dando ênfase aos versículos 26 a 27, cujo destaque versa sobre o regresso das tribos do leste. Hermeneuticamente, tratava-se da permanência, comunhão e fidelidade da Igreja do Brasil sob a autoridade do Patriarcado Sirian Ortodoxo de Antioquia. Desse modo, ao fazer menção ao trecho bíblico, podemos falar como as tribos de Ruben, de Gade e a metade da tribo de Manassés quando responderam aos chefes dos clãs de Israel (v. 27), dizendo que “esse altar sirva de testemunho entre nós e vocês e as gerações futuras, de que cultuaremos o Senhor em seu santuário com nossos holocaustos, sacrifícios e ofertas de comunhão. Então, no futuro, os seus descendentes não poderão dizer aos nossos: “Vocês não têm parte com o Senhor” (v. 27).

Esse texto bíblico torna-se, portanto, luz e direcionamento, àquele contexto, em que se buscava um melhor estreitamento no diálogo com a Sé do Patriarcado Ortodoxo de Damasco. De forma análoga à narrativa de Josué, tomou-se a decisão, por unanimidade do clero presente na XVI Assembléia Ortodoxa Nacional, em permanecermos ligados e submissos à Santa Sé Patriarcal, a fim de que, na atualidade e num futuro próximo, ser garantia de uma vivência da fé cristã em perfeita obediência e submissão à Igreja e tradição Ortodoxa pré-calcedoniana como sempre, desde os seus primórdios, mantivemo-nos submissos.

Identidade e Enculturação

Por conta da perspectiva missionária da Santa Sé Siríaca de Antioquia e pelo fato da “Igreja Missionária” no Brasil ter, inicialmente, recebido alguns padres e fiéis da Igreja Romana e, principalmente, por causa da enculturação, alguns padres da Igreja (Missionária) Sirian Ortodoxa no Brasil acabaram (em algumas comunidades) permitindo, em alguns contextos, o uso de imagens de santos tridimensionais (estátuas), diferente dos ícones usados tradicionalmente pelas Igrejas Ortodoxas, vestimentas (paramentos) católicas romanas (de rito latino), principalmente porque esses materiais não eram produzidos no Brasil e a sua importação era muito dispendiosa. Essa situação desenvolveu-se, principalmente porque, após o falecimento de Mor Crisóstomos Salama em 1996, a Igreja ficou por um período de 11 anos sem nenhuma delegacia patriarcal.

Identidade e unidade

Desde a morte de Mor Crisóstomos buscamos sempre estabelecer relacionamentos com a Santa Sé Patriarcal. Nesse período, muitas iniciativas foram feitas para que não perdêssemos o vínculo da unidade com o patriarcado sirian ortodoxo de Antioquia. O patriarca Mor Inácio Zakka I Iwas sempre se demonstrou zeloso com a missão entre os brasileiros, principalmente porque não havia nenhum delegado patriarcal no Brasil. Nesse mesmo ano, Mor Gregórius Yohanna Ibrahim esteve no Brasil, primeiramente para participar do Congresso Mundial das Missões Evangélicas e, num segundo momento, para reunir-se em São Paulo com os membros das Igrejas de Colônia no Brasil e com a “Igreja Missionária” (SURYOYE, 1996, p. 2).

Durante um longo período, a “Igreja Missionária” no Brasil foi acompanhada e observada, conforme observamos na ordem sequencial abaixo, por vários representantes patriarcais, cujos relatórios eram, de quando em quando, enviados à Santa Sé Siríaca de Antioquia:

a) Abuna Monge Moussa Salama (Sagrado Arcebispo para Missão do Brasil, com o título de † Mar Crisóstomus) como Delegado Patriarcal;
b) Mar Gregórius Yohanna Ibrahim (Arcebispo de Aleppo, na Síria); Abuna Antonio (pároco de Zeida na Síria);
c) Abuna Monge Elezer Al’nemeh (atual Mar Silwanos Petrus Issa Elnemeh, Arcebispo de Homs e Ramá na Síria) como Delegado Patriarcal;
d) Monge Afron (pároco da cidade de Córdoba na Argentina);
e) Mar Sevérius Malke Mourad (Arcebispo de Jerusalém, da Jordânia e na terra Sagrada);
f) Mar Kyrillos Aprehm Karim (Arquidiocese dos EUA);
g) Abuna Monge Gabriel Dahho (pároco de São Paulo da Igreja Sirian Ortodoxa Santa Maria);
h) Monge Saliba;
i) Abuna Monge Paulo Georges Hanna como Delegado Patriarcal para a Missão no Brasil e Argentina nos anos de 2000 a 2001 (conforme Bulas Patriarcais n. 169/2000 de 03/03/2000 e n. 405/2001 de 19/10/2001);
j) Monsenhor Antonio Nakkoud como Delegado Patriarcal e Legado Apostólico da Missão do Brasil durante os anos de 2009 a 2012 (conforme Bula Patriarcal n. EE-273/7 de 28 de maio de 2007);
k) Mor Titus Paulo George Hanna, sagrado arcebispo, em fevereiro de 2012, para atuar na qualidade de Núncio Apostólico para assuntos de evangelização da Igreja Sirian Ortodoxa no Brasil (conforme Bula Patriarcal n. 159/2012 de 28/02/2012).

BRASIL E DAMASCO: Uma única Igreja

Assim como o texto bíblico de Josué (22, 26-27), não só os representantes oficiais do patriarcado vieram até nós, mas nós também fomos até eles no intuito de buscar a unidade da Igreja e o vínculo com a Santa Sé Patriarcal. Nossa história foi marcada por várias visitas pastorais à Damasco, Síria. Em 1988, Mor Basílius Leolino Gomes Neto, juntamente com Mor Crisóstomos Salama, estiveram em Damasco, na Síria. Nos anos de 2001 e 2005, Mor Basílius Leolino Gomes Neto viajou sozinho ao Oriente, a fim de tratar assuntos relacionados à Igreja no Brasil.

visita patriarca
Mor Selwanos, Mor Leolino, Mons. Nakkoud e Mor Faustino, junto ao saudoso patriarca Mor Inácio Zakka

A quarta visita se deu, entre os dias 14 a 20 de maio de 2007, com a delegação brasileiras composta pelos bispos, padres, esposas e membros-fieis da Igreja, liderada pelo Monsenhor Antonio Nakkoud, delegado patriarcal. No dia da Festa de Nossa Senhora sobre as colheitas, o patriarca, definitivamente, reconheceu a “Igreja de Missão” como uma Igreja, genuinamente, “Sirian Ortodoxa de Antioquia” e, consequentemente, o reconhecimento dos seus dois bispos representantes da Igreja Sirian Ortodoxa no Brasil. Nesse mesmo dia, nos “deu a mão em comunhão, seguido de oração consacratória (canônica), em aramaico e imposição das mãos nos bispos Mor Basílius Leolino e Mor Efrém José Faustino (conforme bulas Patriarcais n. E-301/11 e E-300/11 de 06/11/2011), na presença de Mor Pheloxenus Mattias Nays (Assistente Patriarcal), Mor Eclimis Daniel (Beirute), Mor Silwanus Boltros Elmaneh (Homs, Síria), reconfirmando como bispos da Igreja Sirian Ortodoxa no Brasil.

No período de 02 a 09 de novembro de 2011, fomos recebidos pelo Patriarca em três audiências, na Santa Sé Patriarcal, pela quinta vez. As audiências foram acompanhadas pelas presenças dos arcebispos Matias e Silvanus e dos monges Paulo George Hanna, Monge Kirillos e Cristiano Lopes. Nesse encontro, Sua Santidade dirigindo a fala aos nossos bispos, disse que “Os senhores são Pedro e Paulo do Brasil”. Em sua última alusão, conforme consta no parágrafo último da Ata do dia 06/11/2011, ainda acrescentou: “Não esqueçam essa data!”. Solicitou que dessem conhecimento desta Ata a todos no Brasil, desejando-lhes sua atenciosa bênção apostólica.